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O selfie nunca foi apenas um retrato foi a primeira vez que a gente se viu como protagonista da própria imagem.
Tem algo de radicalmente honesto em um selfie. Não é a foto que o fotógrafo escolheu tirar de você. É aquela que você escolheu mostrar de si mesmo o ângulo negociado, a luz testada, o momento capturado quando você achou que valia a pena eternizar. Um selfie é um ato de autoria. É você dizendo ao mundo: "este sou eu, do jeito que decidi ser visto". E essa estampa conversa exatamente com isso com a ideia de que a gente está sempre curadorizando a própria existência, sempre escolhendo qual versão de nós mesmos entra em circulação. A imagem aqui não é acidental. É deliberada. Intencional. Quase filosófica na sua simplicidade.
Essa obsessão pela autoimagem tem raízes muito mais profundas do que o Instagram. Desde a invenção do espelho, o ser humano tem uma relação complicada com sua própria reflexão. Os gregos antigos viam Narciso como um aviso o homem que se enamorou tanto de sua própria imagem que foi consumido por ela. Mas e se Narciso tivesse nascido em 2010? E se ele tivesse um smartphone? A questão muda. Não é mais sobre vaidade cega é sobre identidade, sobre a possibilidade de se reinventar a cada clique, sobre o direito de ser o diretor da própria narrativa visual. O espelho clássico te dá uma imagem; o selfie te dá uma escolha. E há algo profundamente democrático nisso. Qualquer um com uma câmera pode se tornar sua própria musa.
Vivemos numa era em que a imagem é moeda. A gente troca presença por atenção, autenticidade por engagement, intimidade por likes. Há algo ao mesmo tempo vazio e absolutamente necessário nisso. O selfie é o documento dessa época o arquivo visual da geração que decidiu que sua própria percepção merecia tanto espaço quanto a realidade. E essa não é uma crítica. É uma constatação. Porque ao mesmo tempo que o selfie é narcisismo puro, é também uma forma de resistência. É dizer "eu existo" numa cultura que tenta constantemente te apagar, te padronizar, te enquadrar em categorias pré-fabricadas. Quando você tira um selfie, você está reclamando o direito de ser o autor da sua própria imagem e isso, historicamente falando, sempre foi poder.
A peça? Um hoodie slim que abraça sem sufocar. Moletinho macio, aquele tecido que conhece bem o inverno e as madrugadas de scroll sem fim. Capuz generoso (porque às vezes a gente precisa desaparecer um pouco), bolso canguru onde cabem as mãos frias e os pensamentos não-resolvidos, cordão regulável pra ajustar conforme o humor do dia. O corte slim não é apertado é presença. É aquele tipo de roupa que fica bem em praticamente qualquer corpo porque respeita proporções sem ser ortopédico sobre elas. Cai bem em quem quer passar despercebido com propósito. Em quem sabe que o silêncio também comunica.
Por que isso existe na Lacraste? Porque a gente entende que moda não é sobre fingir ser quem você não é. É sobre ter ferramentas pra ser quem você realmente é ou pelo menos, quem você escolheu ser hoje. Essa estampa fala sobre curadoria de si mesmo, sobre o direito de criar sua própria imagem, de ser simultaneamente vulnerável e intencional. E isso é exatamente o que a gente faz aqui. A gente tira o selfie cultural, escolhe o ângulo, filtra a referência e oferece em forma de tecido.
Use isso quando você quiser dizer algo sem falar nada. Quando você souber que a autoimagem é política. Quando você entender que todo retrato é, no fundo, uma confissão.
A Lacraste não é uma loja de roupas. É uma galeria que decidiu ter carrinho de compras.
Cada estampa é uma ideia antes de ser uma peça. Cada peça é uma posição antes de ser uma roupa. Aqui, o tecido é o suporte o que você diz com ele é o produto real.
Nascemos na interseção entre arte, moda e cultura digital. Não fazemos moda de estação. Fazemos estampas que duram porque as referências que carregam já duram há décadas ou séculos. Colocamos Van Gogh ao lado de Inosuke. Mondrian ao lado de memes. Porque cultura não tem hierarquia. Tem relevância.
Pra quem entende a referência: bem-vindo. Pra quem vai pesquisar depois de ver a peça: ainda melhor.
Lacraste. Arte que você usa.
