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Um moletom que fuma ideias enquanto você fuma cigarros ou apenas finge, de pijama, às 3 da manhã.
A estampa "Cigarrets" não é sobre nicotina. É sobre o ritual de parecer que você está pensando em algo importante enquanto, na verdade, está apenas existindo. É sobre aquela pose de intelectual dos anos 1960, quando fumar era sinônimo de profundidade quando cada baforada vinha acompanhada de uma teoria sobre o sentido da vida, a morte, a alienação ou por que Sartre era mais importante que Camus. A imagem de um cigarro, quando colocada em um moletom, deixa de ser um aviso do Ministério da Saúde e vira uma declaração de intenção: "Estou aqui, pensando, existindo, e minha fumaça é meu argumento." Há ironia nisso, claro. E é exatamente onde a Lacraste vive.
O cigarro é um dos símbolos mais documentados da contracultura e da intelectualidade ocidental. De Freud a Foucault, de Humphrey Bogart a James Dean, o cigarro foi o acessório do pensamento. Na fotografia, na literatura, no cinema, ele aparecia sempre que alguém precisava parecer que estava refletindo sobre a condição humana. Os surrealistas fumavam. Os beatniks fumavam. Os existencialistas fumavam porque sentar em um café sem fazer nada é mais aceitável se você estiver fumando. O cigarro transformou o ócio em contemplação. Transformou o vazio em estilo. E, no fim, virou uma das imagens mais icônicas de uma época inteira: aquela em que parecer profundo era quase tão importante quanto ser profundo. A estampa "Cigarrets" capta exatamente esse momento suspenso entre a pose e a verdade, entre o que você finge ser e o que você realmente é que, frequentemente, é a mesma coisa.
Mas estamos em 2025, e ninguém mais fuma sem se sentir um pouco culpado (ou muito culpado, dependendo de quem está olhando). A beleza dessa referência agora é justamente essa distância irônica. Usar um moletom com a estampa de um cigarro é como citar um filósofo morto: há um prazer delicado em trazer de volta algo que a sociedade deixou para trás, mas que ainda carrega uma aura de sofisticação. É uma forma de dizer "eu entendo a referência, e sei exatamente o quanto ela é anacrônica e ainda assim, aqui estou eu." Em um mundo onde tudo é imediato, onde a profundidade é suspeita e a reflexão é um luxo, carregar um cigarro estampado no peito é um ato quase revolucionário de lentidão. É escolher parecer que você está pensando, mesmo que isso vire meme no final de semana.
O moletom em si é um sujeito sutil. Corte slim aquele que te abraça sem sufocar, que delineia o corpo sem gritar por atenção em um moletinho leve que não é aquele tecido pesado de construção. Sem capuz (porque quem precisa de capuz quando a ideia já cobre a cabeça?) com punhos e barra canelados que fixam a peça, que a mantêm no lugar, que dizem "isso aqui é pensado, não é acaso." De PP ao 3G, porque uma ideia boa serve para corpos de todos os tamanhos. O caimento é aquele que funciona não largo demais para parecer que você roubou de alguém, não justo demais para parecer que está pedindo licença para respirar. É a roupa de quem sabe que conforto e estilo não são inimigos; são, na verdade, a mesma coisa com nomes diferentes. Nos dias frios, quando o termômetro cai e a vontade de ficar debaixo das cobertas ganha da responsabilidade, esse moletom é o intermediário perfeito aquele que te mantém quente sem te fazer parecer que desistiu da vida. E, se você for daqueles que carrega uma ideia para todo lugar (um artigo mal lido, uma teoria que achou interessante, uma opinião sobre uma série que ninguém pediu), bem, o moletom já está preparado para isso.
A Lacraste entendeu que um moletom com a estampa de cigarros não é uma glorificação da nicotina. É uma celebração da pose intelectual, daquele momento suspenso em que você está entre quem é e quem gostaria de ser e descobre que essa distância é exatamente onde mora a criatividade. É uma peça que conversa com todos aqueles que já fingiram estar pensando em algo importante enquanto na verdade estavam apenas tentando parecer legais. E isso, meus amigos, é uma condição muito humana.
A Lacraste não é uma loja de roupas. É uma galeria que decidiu ter carrinho de compras.
Cada estampa é uma ideia antes de ser uma peça. Cada peça é uma posição antes de ser uma roupa. Aqui, o tecido é o suporte o que você diz com ele é o produto real.
Nascemos na interseção entre arte, moda e cultura digital. Não fazemos moda de estação. Fazemos estampas que duram porque as referências que carregam já duram há décadas ou séculos. Colocamos Van Gogh ao lado de Inosuke. Mondrian ao lado de memes. Porque cultura não tem hierarquia. Tem relevância.
Pra quem entende a referência: bem-vindo. Pra quem vai pesquisar depois de ver a peça: ainda melhor.
Lacraste. Arte que você usa.
