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Um moletom que sussurra referências enquanto você caminha pelo inverno sem pedir desculpa por pensar.
A estampa "Like" é uma provocação disfarçada de simplicidade. Ela não grita. Ela sussurra. E justamente por isso, quem a vê tira conclusões. A palavra "Like" aquele gesto digital que virou moeda de troca, validação instantânea, métrica de existência aparece aqui despida de seu contexto de rede social. Ela flutua. Ela questiona. Ela faz você parar e pensar: gosto disso porque é bom, ou gosto porque o algoritmo me ensinou a gostar? A estampa carrega essa ambiguidade proposital. Não é um ataque à cultura digital. É um espelho. E espelhos, quando bem feitos, revelam coisas incômodas que preferimos não ver.
Para entender "Like" é preciso voltar alguns anos e perceber como uma interface de rede social se tornou a linguagem visual do século XXI. O "Like" aquele polegar para cima do Facebook, aquele coração do Instagram é talvez o símbolo mais democrático e ao mesmo tempo mais perverso que inventamos. Ele deu voz a quem não tinha. Mas também quantificou o inefável: a arte, a emoção, o pensamento complexo. Tudo virou um número. Tudo ficou disputável. A referência aqui não é apenas ao "Like" em si, mas ao que ele representa: a gamificação da existência, a transformação de sentimentos em dados, a nossa conivência voluntária com a máquina. Há décadas, filósofos como Michel Foucault já alertavam sobre como o poder se exerce não através da repressão, mas da captura do nosso desejo. O "Like" é a versão 2.0 desse mecanismo. Você o pressiona acreditando que está livre, mas está dentro da engrenagem.
Hoje, quando colocamos essa palavra em um moletom, não estamos sendo ingênuos. Estamos sendo radicalmente honestos. Vivemos em um mundo onde "Like" é verbo, moeda, identidade. Ninguém escapa disso. Nem mesmo quem o critica. A ironia está exatamente aí: ao usar uma peça que carrega a palavra "Like", você está paradoxalmente comentando sobre isso. Está dizendo que entende o jogo, que o questiona, e que mesmo assim continua jogando porque não há fora. Não há espaço seguro. Há apenas a escolha de estar consciente enquanto participa. Essa é a posição intelectual do nosso tempo. E esse moletom a carrega muito bem.
A peça em si é um suéter de moletom slim aquele tipo que nem precisa de capuz porque já é sofisticado demais para pedir isso. O corte é pensado para quem não quer parecer que saiu de casa sem se arrumar, mesmo quando saiu. O moletinho é leve, respirável, feito para esses dias frios que não palpitam: você sai de casa e sabe que vai ficar assim. Não é aquele moletom pesado que parece um cobertor com mangas. É o moletom de quem acorda, pensa em colocar algo que funcione, e escolhe um que também funciona intelectualmente. Os punhos e a barra canelados mantêm a silhueta precisa nada de baguetes ou sobras de tecido. Slim significa que ele acompanha seu corpo sem sufocá-lo, sem aquele ar de camiseta três tamanhos maior que você comprou irônico mas usa sincero. A modelagem vai de PP ao 3G, porque corpos não cabem em um padrão único. E mentes menos ainda.
A Lacraste existe porque alguém percebeu que roupas podem ser mais do que proteção contra o frio. Podem ser literatura. Podem ser debate. Podem ser a forma silenciosa de dizer "eu penso diferente" sem abrir a boca. Esse moletom com a estampa "Like" é exatamente isso: um manifesto comprimido em algodão. Quando você o veste, está dizendo que entende a ironia de viver em um mundo digital sem sair dele. Que consegue crítica sem ativismo performático. Que sua roupa é uma ideia antes de ser um uniforme.
Coloque esse moletom em um dia frio de outono ou inverno. Sente como ele abraça sem apertar. Observe como a estampa "Like" fica quando você está em movimento, quando você está parado, quando as pessoas passam. Algumas vão reconhecer. Outras vão perguntar. Outras vão rolar os olhos porque entendem exatamente o que você está fazendo. E tudo bem. A roupa não é para agradar. É para se posicionar. E posição, no fim das contas, é o oposto de um gesto sem peso em uma tela.
A Lacraste não é uma loja de roupas. É uma galeria que decidiu ter carrinho de compras.
Cada estampa é uma ideia antes de ser uma peça. Cada peça é uma posição antes de ser uma roupa. Aqui, o tecido é o suporte o que você diz com ele é o produto real.
Nascemos na interseção entre arte, moda e cultura digital. Não fazemos moda de estação. Fazemos estampas que duram porque as referências que carregam já duram há décadas ou séculos. Colocamos Van Gogh ao lado de Inosuke. Mondrian ao lado de memes. Porque cultura não tem hierarquia. Tem relevância.
Pra quem entende a referência: bem-vindo. Pra quem vai pesquisar depois de ver a peça: ainda melhor.
Lacraste. Arte que você usa.
