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Um suéter que carrega o cinema brasileiro como quem carrega uma ferida sagrada, inevitável, irreconciliável.
"Deus e o Diabo na Terra do Sol" não é apenas uma estampa. É um manifesto costurado no peito de quem veste. Glauber Rocha nos presenteou com um filme que grita, que dói, que não deixa ninguém indiferente e essa imagem, essa iconografia visceral do cinema brasileiro em seu auge, merecia estar aqui, neste moletom. Não como decoração. Como provocação. A estampa carrega o caos sagrado do sertão, a luta entre forças cósmicas que Glauber capturou em preto e branco e desespero. Quando você veste isso, você não está apenas lembrando um filme. Está dizendo que cinema é pensamento, que arte é resistência, que o Brasil que você carrega na pele é contraditório, violento e belo exatamente como Glauber enxergava. É a roupa de quem sabe que não existe neutralidade. De quem escolhe o lado.
Estamos em 1964. O Brasil está sangrando politicamente. Glauber Rocha lança "Deus e o Diabo na Terra do Sol" e inventa, ali, uma linguagem visual que mudaria o cinema para sempre. Não é apenas um filme sobre o sertão, sobre messianismo, sobre o poder da fé e da violência como ferramentas de transformação social. É uma obra que destrói a ilusão de que cinema é entretenimento. Cinema, para Glauber, é guerra. É revolução. É verdade tão brutal que dói fisicamente. A estampa que você vê neste moletom captura exatamente esse espírito aquela urgência, aquela sede de transformação, aquela recusa categórica de que as coisas possam continuar como estão. É Cinema Novo. É Brasil Novo. É a recusa do belo para abraçar o necessário.
Mas por que isso importa em 2024? Porque vivemos numa época em que as pessoas confundem conforto visual com verdade. Onde algoritmos nos servem versões de mundo feitas sob medida para nossos preconceitos. Glauber Rocha nos obrigava a ver. Obrigava o incômodo a ocupar a tela, a ocupar o corpo, a ocupar a consciência. Essa mensagem nunca envelheceu. Se anything, ficou mais urgente. Nós somos Glauber quando recusamos a narrativa fácil. Quando escolhemos provocar em vez de agradar. Quando entendemos que roupa, arte, cinema tudo é política. Tudo é escolha. E escolhas importam.
O moletom em si respira junto com essa ideia. Slim, sem capuz, em moletinho leve a espécie de peça que diz "eu não preciso de floreios, eu deixo a estampa falar". Os punhos e a barra canelados mantêm a silhueta limpa, definida, como um frame de cinema. Nada sobra, nada falta. É o corte perfeito para quem entende que menos é mais, que simplicidade é sofisticação, que a força está na ideia, não na exuberância. Funciona no inverno porque é moletão leve aquele que te aquece sem sufocar, que te deixa respirar. De PP ao 3G, porque arte não tem tamanho, consciência não tem medida. Cabe em qualquer corpo quem quer levar Glauber consigo.
Aqui na Lacraste, a gente não faz roupas para seguir moda. A gente faz roupas para quem está cansado de seguir qualquer coisa. "Deus e o Diabo na Terra do Sol" é o tipo de referência que não sai de moda porque nunca esteve na moda para começo de conversa. Está além disso. Está na história. Está na alma. E a gente acredita que você merecia carregar isso. Merecer porque entende, porque respira junto com Glauber, porque sabe que arte verdadeira é aquela que incomoda, que questiona, que não deixa você ser o mesmo depois que a vê.
Veste esse moletom e carrega uma revolução por baixo do casaco. Ou carrega como uma cicatriz. Como um lema. Como quem sabe que estética e política são a mesma coisa, sempre foram, sempre serão.
A Lacraste não é uma loja de roupas. É uma galeria que decidiu ter carrinho de compras.
Cada estampa é uma ideia antes de ser uma peça. Cada peça é uma posição antes de ser uma roupa. Aqui, o tecido é o suporte o que você diz com ele é o produto real.
Nascemos na interseção entre arte, moda e cultura digital. Não fazemos moda de estação. Fazemos estampas que duram porque as referências que carregam já duram há décadas ou séculos. Colocamos Van Gogh ao lado de Inosuke. Mondrian ao lado de memes. Porque cultura não tem hierarquia. Tem relevância.
Pra quem entende a referência: bem-vindo. Pra quem vai pesquisar depois de ver a peça: ainda melhor.
Lacraste. Arte que você usa.
