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Um moletom que é uma confissão envergonhada de quem acredita em delícia mesmo quando tudo desaba.
A estampa "Credo que Delicia" funciona como aquele meme que te alcança no feed e você sente que foi pessoalmente atacado mas da forma certa. É o absurdo cristalizado em texto simples, a contradição entre a fé genuína e o hedonismo banal, tudo resumido em três palavras que soam como uma reza feita por quem definitivamente não frequenta igrejas. Há um desespero elegante nisso, uma negação da negação. Não é "tudo está ruim, portanto preciso de delícia". É "tudo está ruim, portanto ACREDITO que preciso de delícia". É pragmatismo espiritual. É o meme como forma de filosofia.
Esse tipo de humor o dos memes que nascem de cansaço, daqueles que circulam em grupos de WhatsApp de amigos que estudam letras clássicas e trabalham em startups tem suas raízes na tradição do absurdo racional. Pense em Buñuel, em Beckett, em tudo aquilo que o surrealismo tentou nos mostrar: que a lógica cotidiana é ela mesma um meme. O que mudou agora é que o meme deixou de ser material de análise universitária para ser material de uso diário. "Credo que Delicia" é a herança do dadaísmo filtrada pela timeline, a desconstrução linguistic viralizada. É religião pop. É sinceridade irônica ou seria ironia sincera? elevada ao status de roupa.
E por que isso importa em 2024? Porque vivemos numa época em que sinceridade total é suspeita e cinismo total é cansativo. A gente precisa acreditar em algo sem parecer ingênuo. Precisamos de delícia sem parecer frívolo. Então usamos a ironia como armadura e metemos a verdade lá dentro, bem escondida, onde ninguém consegue apontar. "Credo que Delicia" é exatamente isso: uma confissão que se faz parecer piada. É o millenial e o Gen Z falando sobre saúde mental através de memes. É esperança travestida de absurdo.
O moletom em si é feito em moletinho leve porque aqueles dias frios que parecem nunca passar exigem algo que você possa realmente usar, não apenas carregar como metáfora. Corte slim, porque estética importa mesmo quando você está desesperado, canelado nos punhos e na barra para aquele acabamento que diz "eu planejei isso", sem capuz porque às vezes você quer que a estampa respire sozinha, sem competição com sua cabeça. É um moletom que cabe em corpos de PP até 3G porque memes não discriminam por tamanho, e arte muito menos. O caimento é aquele que funciona tanto para quem quer se esconder quanto para quem quer ser visto. Oversized para uns, justo para outros. Democrático.
Na Lacraste, a gente entende que roupas são documentos. São arquivos que você carrega no corpo. E um moletom com a palavra "delicia" impressa nele aquela delicia casual, sem acento, como se não tivesse tempo para pontuação, como se fosse uma nota rápida para si mesmo é um arquivo de uma época. É uma nota deixada para o você do futuro explicando como você se sentia naquele inverno quando começou a acreditar em coisas pequenas e ínfimas justamente porque as grandes tinham desaparecido.
A Lacraste não coloca memes em roupas por modismo. A gente coloca porque memes são a linguagem contemporânea da verdade. São como os hieróglifos de uma civilização que aprendeu a falar em camadas, em referências, em ironia. E quando você veste "Credo que Delicia", você não está apenas usando uma estampa. Está assinando em baixo de um documento que diz: "Sim, tudo está estranho. Não, eu não vou ficar sério sobre isso. Sim, eu vou procurar delicia onde couber." É um posicionamento. É uma atitude. É arte.
A Lacraste não é uma loja de roupas. É uma galeria que decidiu ter carrinho de compras.
Cada estampa é uma ideia antes de ser uma peça. Cada peça é uma posição antes de ser uma roupa. Aqui, o tecido é o suporte o que você diz com ele é o produto real.
Nascemos na interseção entre arte, moda e cultura digital. Não fazemos moda de estação. Fazemos estampas que duram porque as referências que carregam já duram há décadas ou séculos. Colocamos Van Gogh ao lado de Inosuke. Mondrian ao lado de memes. Porque cultura não tem hierarquia. Tem relevância.
Pra quem entende a referência: bem-vindo. Pra quem vai pesquisar depois de ver a peça: ainda melhor.
Lacraste. Arte que você usa.
